quinta-feira, 26 de março de 2015

Opinião" À espera de Moby Dick" - Nuno amado

À Espera de Moby DickÀ Espera de Moby Dick by Nuno Amado
My rating: 5 of 5 stars

Só lendo se poderá ter uma ideia do que é este livro.
A beleza das palavras, a melancolia, a solidão... Quantos de nós não quisemos já exilar para esquecermos o que perdemos, para esquecermos quem perdemos? Um exílio de redescoberta.

Este será seguramente, um dos livros mais belos que já li, muito bem escrito, cheio de imagens, cheio de sentimentos, cheio de passagens sublinhadas... Senti-me tocada por ele.


Sinopse
Um desgosto avassalador leva um lisboeta a refugiar-se numa enseada perdida dos Açores para cumprir um velho sonho: avistar baleias. Enquanto espera pela chegada dos gigantes marinhos, ocupa os dias naquele lugar dominado pelo ruído do oceano a tentar reencontrar-se e a escrever cartas para o seu melhor amigo, contando-lhe o fio dos seus dias no exílio, mas também para destinatários tão improváveis como o Instituto Nacional de Estatística, o boxeur português com mais derrotas acumuladas ou um guru de auto-ajuda de sucesso planetário.

À medida que o tempo passa, consegue vencer a solidão absoluta que impôs a si próprio e estabelece contacto com os seus poucos vizinhos, como um alemão bem-humorado, que todos os dias sai sozinho para o mar, e um casal de reformados oriundo do continente, que recebe cartas do filho dos mais variados lugares do mundo. Depressa descobre que, naquela enseada, todos têm qualquer coisa a esconder e nada é exactamente o que parece.

À Espera de Moby Dick é um romance grandioso e envolvente que nos fala do amor, da perda e da extraordinária capacidade de regeneração do ser humano perante as maiores adversidades.

terça-feira, 24 de março de 2015

Opinião: "O cavalheiro inglês" - Carla M. Soares

O Cavalheiro InglêsO Cavalheiro Inglês by Carla M. Soares
My rating: 4 of 5 stars

Adorei!!!
Se já tinha gostado bastante de Alma rebelde, este fez as minhas delicias! Tão romântico!

O Robert é um cavalheiro, sexy e divertido! A Sofia é uma teimosa! O Sebastião um doido...
A época em que se passa este romance é a ideal para estes personagens, não poderia ser de outra forma.
Quando em Portugal impera a confusão dos revolucionários que querem acabar com a monarquia e aparecem grupos anarquistas radicais, este livro não se fica apenas pela estória de amor, mas também pela história de Portugal.

É um livro, na minha opinião, muito bem escrito e por uma simpática autora portuguesa, de quem sou fã assumida.

Carla, já estou à espera do próximo, ok?

Sinopse
PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.
Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.
O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.
Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.



segunda-feira, 16 de março de 2015

Resultado do Passatempo: "Olive Kitteridge"

Vencedora: Elsa Maria Silva Moreira

Elsa o livro será enviado para a morada que indicou no passatempo.
Obrigada a todos os participantes!


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resultado do passatempo "Safari de sangue"

Este passatempo teve uma situação que se repetiu... Pede-se o email e as pessoas não o deixam registado!
O João Mira foi um desses casos e se na próxima semana não contactar o blog, haverá novo sorteio.

Vencedor do passatempo: 


2015/01/05 16:05:48 João  MiraPovoa de Santa IriaJoão (...) Mirahttps://www.facebook.com/#!/Rkocheckers/posts/889975017701312?pnref=story






















sábado, 3 de janeiro de 2015

Passatempo: "Safari de sangue"

Passatempo aberto até dia 15 de Janeiro. 

Boa sorte!

(podem partilhar o passatempo várias vezes, no limite do razoável, 1/2 vezes por dia)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Opinião: "Um amor perdido" - Anna McPartlin

Um Amor PerdidoUm Amor Perdido by Anna McPartlin
My rating: 3 of 5 stars

Sabe, quem passou pela experiência, que perder alguém é algo que nos deixa no limite. Mas perder alguém para algo desconhecido é passar além do desespero.
Alexandra sai de casa um dia e nunca mais volta... O marido Tom acredita que ela está perdida algures, a sua mãe Breda sente que o coração da sua filha ainda bate, mas a verdade é terrível.

Este é o mote para mais um livro de Anna McPartlin, um livro cheio de sentimentos, que nos deixa na mesma angustia que os personagens.

Esta autora tem o dom de nos fazer chorar pelos seus personagens, de nos fazer querer que tudo lhes corra bem, de acreditar que há sempre um final feliz. Mas há coisas que estão para além do nosso alcance...

Um livro que vale bem a pena ser lido.


Opinião: "O palácio de inverno" - Eva Stachiak

O Palácio de Inverno (Catherine, #1)O Palácio de Inverno by Eva Stachniak
My rating: 3 of 5 stars

No geral é um livro interessante, embora de inicio seja um pouco cansativo e pouco estimulante, com o avançar dos capitulos a estória torna-se mais estimulante.

Um retrato da corte russa com uma imperatriz autoritária e prepotente e o medo constante de quem a rodeia. Um pedaço de história e o inicio da Dinastia Romanov.

Opinião: "As aventuras de Marina Pons" - Lázaro Covadlo

As Aventuras de Marina PonsAs Aventuras de Marina Pons by Lázaro Covadlo
My rating: 2 of 5 stars

A visão de 3 personagens sobre uma mesma vida.
marina, José (marido falecido de Marina) e Lucas (novo namorado de Marina).

Não é um livro muito interessante, mas foca-se básicamente na solidão e abandono. Marina perdeu os pais em criança e foi criado pelo tio, conhece José (trepper) e casa-se. José morre cedo e Marina passa de professora de biologia a caixeira-viajante promiscua... Conhece Lucas um motociclista sem sentido de vida e cerca de 20 anos mais novo. Na vida de Marina nada faz sentido, por vezes nem a sua própria existência.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"Vieste como um Barco Carregado de Vento" - Maria do Rosário Pedreira

 
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira, in 'O Canto do Vento nos Ciprestes'

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada] - Maria do Rosário Pedreira


Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram —
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora — os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim — tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora — nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique —
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito
como uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora — esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua — a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.

Maria do Rosário Pedreira

sábado, 22 de novembro de 2014

Vasco Graça Moura

quem amo tem cabelos
castanhos e castanhos
os olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço

tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar
(...)

Vasco Graça Moura