quinta-feira, 5 de março de 2015

Passatempo: "Olive Kitteridge" - Elizabeth Strout (livro usado)

Até dia 15 de Março.
BOA SORTE!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resultado do passatempo "Safari de sangue"

Este passatempo teve uma situação que se repetiu... Pede-se o email e as pessoas não o deixam registado!
O João Mira foi um desses casos e se na próxima semana não contactar o blog, haverá novo sorteio.

Vencedor do passatempo: 


2015/01/05 16:05:48 João  MiraPovoa de Santa IriaJoão (...) Mirahttps://www.facebook.com/#!/Rkocheckers/posts/889975017701312?pnref=story






















sábado, 3 de janeiro de 2015

Passatempo: "Safari de sangue"

Passatempo aberto até dia 15 de Janeiro. 

Boa sorte!

(podem partilhar o passatempo várias vezes, no limite do razoável, 1/2 vezes por dia)

sábado, 20 de dezembro de 2014

Opinião: "Um amor perdido" - Anna McPartlin

Um Amor PerdidoUm Amor Perdido by Anna McPartlin
My rating: 3 of 5 stars

Sabe, quem passou pela experiência, que perder alguém é algo que nos deixa no limite. Mas perder alguém para algo desconhecido é passar além do desespero.
Alexandra sai de casa um dia e nunca mais volta... O marido Tom acredita que ela está perdida algures, a sua mãe Breda sente que o coração da sua filha ainda bate, mas a verdade é terrível.

Este é o mote para mais um livro de Anna McPartlin, um livro cheio de sentimentos, que nos deixa na mesma angustia que os personagens.

Esta autora tem o dom de nos fazer chorar pelos seus personagens, de nos fazer querer que tudo lhes corra bem, de acreditar que há sempre um final feliz. Mas há coisas que estão para além do nosso alcance...

Um livro que vale bem a pena ser lido.


Opinião: "O palácio de inverno" - Eva Stachiak

O Palácio de Inverno (Catherine, #1)O Palácio de Inverno by Eva Stachniak
My rating: 3 of 5 stars

No geral é um livro interessante, embora de inicio seja um pouco cansativo e pouco estimulante, com o avançar dos capitulos a estória torna-se mais estimulante.

Um retrato da corte russa com uma imperatriz autoritária e prepotente e o medo constante de quem a rodeia. Um pedaço de história e o inicio da Dinastia Romanov.

Opinião: "As aventuras de Marina Pons" - Lázaro Covadlo

As Aventuras de Marina PonsAs Aventuras de Marina Pons by Lázaro Covadlo
My rating: 2 of 5 stars

A visão de 3 personagens sobre uma mesma vida.
marina, José (marido falecido de Marina) e Lucas (novo namorado de Marina).

Não é um livro muito interessante, mas foca-se básicamente na solidão e abandono. Marina perdeu os pais em criança e foi criado pelo tio, conhece José (trepper) e casa-se. José morre cedo e Marina passa de professora de biologia a caixeira-viajante promiscua... Conhece Lucas um motociclista sem sentido de vida e cerca de 20 anos mais novo. Na vida de Marina nada faz sentido, por vezes nem a sua própria existência.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"Vieste como um Barco Carregado de Vento" - Maria do Rosário Pedreira

 
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.

Maria do Rosário Pedreira, in 'O Canto do Vento nos Ciprestes'

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

[Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada] - Maria do Rosário Pedreira


Mãe, eu quero ir-me embora — a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram —
se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora — os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim — tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora — nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique —
as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito
como uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora — esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua — a última canção sobre
o meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
virão já amanhã, mas desta vez, tu sabes, não as verei murchar.

Maria do Rosário Pedreira

sábado, 22 de novembro de 2014

Vasco Graça Moura

quem amo tem cabelos
castanhos e castanhos
os olhos, o nariz
direito, a boca doce.
em mais ninguém conheço

tal porte do pescoço
nem tão esguias mãos
com aro de safira,
nem tanta luz tão húmida
que sai do seu olhar
(...)

Vasco Graça Moura

Lembranças


Tenho-me lembrado de ti...

Uma lembrança suave, repetitiva
Que insiste em entranhar-se nos meus dias.

Sinto-te ao meu lado, no ar
e chego a falar-te!

Tenho tanta coisa a dizer-te!!
O tempo foi tão curto...

Sabes que a falta que me fazes, não se mede por palavras?
Mede-se nos sonhos que tenho
Mede-se no vazio que sinto
Mede-se no olhar que te procura.

É um vazio inexplicável, que e enche de solidão.

(22/11/2015)

Um poema...




Partiria de bom grado
agora, na barca de Caronte,
já cumpri os meus ideais
neste mundo.

Já fiz revoluções
participei em guerras
presidi julgamentos
Nunca ganhei qualquer causa.

Nunca tive nobreza de espirito
para reconhecer
quantos erros cometi.

Travei tantas batalhas
por esta vida
a maior delas, contra mim
tentando derrubar-me
tentando aprisionar-me
a inutilidades.

Nunca cheguei a entender
verdadeiramente quem sou,
não vim com qualquer indicação
do caminho que deveria seguir.
Entrei cega neste jogo
sem ter bussula com que me orientar.

Trilhei e bati sozinha
estas matas densas,
para a minha retirada.

Vivi como eremita...
antes do tudo
em que me transformei.
Não quis seguir os sinais
por teimosia...
agarrei-me apenas ao tempo.

Não quis abrir os olhos
quando escureceu...
Leva-me Caronte...
por todos os pecados cometidos
está já na hora
da minha travessia.

(20/12/05)