domingo, 16 de fevereiro de 2014

Opinião: "O diário oculto de Nora Rute" - Mário Zambujal

 
 
1969 um ano de mudanças em Portugal... Visto por Nora Rute, uma rapariga que nada faz na vida.
Um ano em que anota no seu diário, todos os pensamentos, as situações caricatas pelas quais passa e muitas opiniões futebolisticas.

Mário Zambujal dá voz a uma personagem, no feminino, e faz isso de uma maneira muito particular. Notamos obviamente que o livro é escrito por um homem, no entanto, o personagem de Nora Rute é completo.
Um pequeno livro, bem escrito e divertido, que nos mostra um pouco do que era o país numa época em que as opiniões politicas não eram divulgadas, em que a moda não era para todos. Uma leitura bastante agradável.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Em leitura: "O diário oculto de Nora Rute" - Mário Zambujal



Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.
Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero. Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.
Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Novidade: "Uma casa na Irlanda" - Maeve Binchy

Ria e Marylin não se conhecem - vivem a milhares de quilómetros de distância, separadas pelo oceano Atlântico: um numa grande e acolhedora casa vitoriana em Tara Road, Dublin, a outra numa casa moderna em Nova Inglaterra. Seria difícil encontrar duas mulheres mais diferentes; a vida de Ria centra-se na sua família e nos seus amigos, enquanto a de Marylin conheceu muito sofrimento. Mas quando cada uma delas precisa de sair do ambiente que as rodeia, uma troca de casas parece ser a solução ideal. Juntamente com as casas emprestadas surgem os vizinhos e os amigos, os mexericos e as especulações quando Ria e Marylin trocam de casas durante o Verão...

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Opinião: "Mafalda de Saboia" - Diana de Cadaval



Mafalda de Saboia chega a Portugal com 20 anos, cheia de esperanças... Espera encontrar um marido que seja seu companheiro e um povo que a acarinhe. Durante toda a sua vida como rainha não encontraria nem uma coisa ne outra...

D.Afonso Henriques era um homem destituido de sentimentos, ambicioso e que pensava apenas em alargar o reino e deixar descendência. Nunca em qualquer momento se mostrou carinhoso com a mulher, Mafalda, que servia apenas para dar à luz descendentes.
Teve uma vida infeliz só superada pela a legria que eram os seus filhos, e mesmo assim viu-se obrigada a mandá-los para longe para serem educados por familias nobres, como era norma naquele tempo.

O livro tem algumas contradições históricas, existem algumas repetições um pouco cansativas (a constante esperança de Mafalda em ser amada, meso depois de saber que Afonso era incapaz de qualquer sentimento por ela). No geral serve para vermos o ponto de vista de uma mulher sobre o primeiro rei de Portugal.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

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Opinião: "O rapaz do caixote de madeira" Leon Leyson

 
Este pequeno livro é a estória de Leon, um rapaz de 9 anos que passa pelos horrores da II Guerra Mundial e é judeu...
Nenhuma criança deveria ser privada do que quer que fosse e uito menos por causa da religião, da condição social ou do que quer que seja! Este relato chocou-me!

A desculpa de uma nação para purificar a raça, que comete roubo e assassinios, que despreza o ser humano que afinal de contas é igual a si, a capacidade de distorcer ideais em proveito próprio. O ser humano, racional, é capaz de crimes inimagináveis!

Deveriam de dar a ler este livro a algumas pessoas aqui perto...

Em leitura: "Noites de jasmim" - Julia Gregson



1942. Numa Europa devastada pela guerra, a jovem Saba tem uma vida protegida. Demasiado protegida. Ela anseia por liberdade e é suficientemente obstinada para desafiar as convenções e a própria família e perseguir o seu sonho: cantar. Ao atuar num hospital militar britânico, a jovem conhece Dom, um piloto em convalescença. A atração é imediata mas ambos sabem estar perante um amor condenado. Dom debate-se com o trauma das suas cicatrizes de guerra e está decidido a voltar rapidamente ao combate. Atormentada pelos perigos que o homem que ama está disposto a correr, Saba renuncia aos seus sentimentos e decide partir numa jornada que a levará ao glamour do Cairo e ao calor e opulência de Istambul. Um mundo tumultuoso e decadente de soldados, espiões e agentes duplos. Um mundo onde não há lugar para a inocência e todos buscam mais do que aparentam. Alguns querem apenas desfrutar da sua belíssima voz. Outros, sentir o seu amor. Mas há também quem queira os segredos que só ela, graças ao círculo social em que se move, pode descobrir.
No turbilhão em que se tornou a sua vida, há algo que se mantém inalterado: as suas memórias dos momentos que passou com Dom. Desde então, o mundo mudou irremediavelmente, mas os seus caminhos voltarão a cruzar-se um dia… e da forma mais inesperada.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Novidade: "A varanda das gardénias" - Sandra Sabanero



A história de um amor intemporal entre uma mexicana e um norte-americano… Um retrato cru e verdadeiro do México contemporâneo…
Durante dezasseis anos, a vida da família Domínguez decorre feliz e sem sobressaltos. No entanto, esta tranquilidade quebra-se quando o pai, Juan, é injustamente acusado de um duplo crime e morre. A família dissolve-se: Ezequiel, o filho, vai-se embora de Mescala, a pequena vila onde vivem, perseguido por um perigo desconhecido. A filha Rebeca muda-se para Lugarana, onde fica a viver com uma tia. É aí que conhece Patrick Pettegrew.
Para ambos é o primeiro e, simultaneamente, o grande amor das suas vidas. A veracidade dos seus sentimentos esbarra na rigidez dos preconceitos culturais e o casal acaba por separar-se devido a intrigas familiares. Quinze anos mais tarde, quando Rebeca, já convertida em advogada, está prestes a casar-se, Patrick regressa ao México após uma estadia no Vietname e três casamentos fracassados. Os dois voltam a encontra-se e o amor da juventude renasce com a mesma força do passado. Mas antes, Rebeca deve romper o seu compromisso sentimental e desmascarar os autores da tragédia da sua família.
Em A Varanda das Gardénias, a autora utiliza o realismo mágico para contar uma sensual história de amor e, ao mesmo tempo, fazer uma crítica à sociedade mexicana, onde ainda subsistem vários preconceitos.

Novidade: "Que importa a fúria do mar" - Ana Margarida de Carvalho


Numa madrugada de 1934, um maço de cartas é lançado de um comboio em andamento por um homem que deixou uma história de amor interrompida e leva uma estilha cravada no coração. Na carruagem, além de Joaquim, viajam os revoltosos do golpe da Marinha Grande, feitos prisioneiros pela Polícia de Salazar, que cumprem a primeira etapa de uma viagem com destino a Cabo Verde, onde inaugurarão o campo de concentração do Tarrafal.

Dessas cartas e da mulher a quem se dirigiam ouvirá falar muitos anos mais tarde Eugénia, a jornalista encarregada de entrevistar um dos últimos sobreviventes desse inferno africano e cuja vida, depois do primeiro encontro com Joaquim, nunca mais será a mesma. Separados pelo tempo, pelo espaço, pelos continentes, pela malária e pelo arame farpado, os destinos de Joaquim e Eugénia tocar-se-ão, apesar de tudo, no pêlo de um gato sem nome que ambos afagam e na estranha cumplicidade com que partilham memórias insólitas, infâncias sombrias e amores decididamente impossíveis.

Que Importa a Fúria do Mar é um romance de estreia com uma maturidade literária invulgar que coloca, frente a frente, duas gerações de um Portugal onde, às vezes, parece que pouco mudou. Brilhante no desenho dos protagonistas e recorrendo a um estilo tão depressa lírico como despojado, a obra foi finalista do Prémio LeYa em 2012.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Em leitura: "O rapaz do caixote de madeira" - Leon Leyson

Leon Leyson tinha apenas dez anos quando os nazis invadiram a Polónia em 1939 e a sua família foi forçada a viver no gueto de Cracóvia. Neste seu livro de memórias, Leon começa por nos descrever uma infância feliz, na sua aldeia natal e felizmente para a família, o seu caminho cruzar-se-ia com o de Oskar Schindler que os incluiu na célebre lista dos trabalhadores da sua fábrica. Na altura com apenas 13 anos, Leon era tão pequeno que tinha de subir para cima de um caixote de madeira para chegar aos comandos das máquinas. Ao longo desta história, que reproduz com autenticidade o ponto de vista de uma criança, Leon Leyson deixa-nos entrever, no meio do horror que todos os dias enfrentavam, a coragem, a astúcia e o amor que foram necessários para poderem sobreviver.

Novidades: Pedro Vasconcelos



27 de Janeiro de 1613 é um dia histórico. A frota holandesa ataca a fortaleza de Solor e as consequências desse ataque mudam a vida de D. Manuel Álvares que, acusado indevidamente de ter fugido e de ter entregue a fortaleza, é levado a tribunal, em Goa. Num mundo impiedoso, os meios justificam os fins e D. Manuel precisa de todas as ajudas para salvar o seu nome. O reencontro com a mulher amada, a princesa Nenu de Solor, e a ajuda de um feiticeiro local levam-nos à verdadeira história.
As aventuras, os duelos, as traições, as intrigas, o ambiente tropical, a passagem pelos cultos hindus transportam-nos para uma magia irresistível num período muito conturbado e fascinante da nossa história: o retrato do Império Português das Índias, na época filipina. Um livro que relembra alguns aspectos menos conhecidos da saga desses homens que, abandonados pela longínqua pátria, tudo fazem para se opor à crescente influência holandesa na região. 

No dia 21 de Dezembro de 1613 nasce Miguel Molan, depois de um parto atormentado que leva Nenu para o mundo dos espíritos. A morte da bela Nenu deixa destroçado o português D. Manuel Álvares, que nunca mais recupera do desaparecimento do grande amor da sua vida, adoptando uma vida de introspecção. Mas o espírito de Nenu continua a pairar sobre a existência de quantos algum dia se cruzaram de forma significativa com o seu percurso pessoal.
É o caso do oficial holandês, Peter Cornelius, que arrisca a sua segurança pessoal numa viagem até Goa, território português sob administração espanhola no período da anexação dos séculos XVI-XVII, para recuperar livros sagrados e libertar o padre Jaime, aprisionado pela Inquisição. Conta com a preciosa ajuda do jovem brâmane Simão, do veterano de guerra Christian van den Bosch e de um punhal mágico para libertar todos os prisioneiros do Palácio do Sabaio, em Cochim, no ano de 1617. Mas a expedição reserva ainda algumas surpresas.
O percurso de vida de Miguel Molan vai cruzar-se com um ambiente mágico e exótico de uma época fascinante mas cheia de contradições: as traições e o sentido de honra, as intrigas e a entrega a causas aparentemente perdidas, os cultos hindus e o fanatismo religioso, o amor e a morte. Um romance que nos faz conhecer personagens que nos revelam as suas fragilidades e as suas grandezas num período singular da nossa História: o Império Português do Oriente.

Sentindo-se culpado por ter tirado a vida a D. Manuel, Peter Cornelius aceita as últimas vontades do seu inimigo, tornando-se assim no tutor de Miguel Molan. Marcado pelos acontecimentos de 1617, o aventureiro neerlandês resgata o velho Christian do cativeiro da Inquisição e os dois tornam-se companheiros inseparáveis. Fogem então com Miguel, protegidos de muito perto pela eterna sombra de Nenu, princesa de Solor, que morreu no parto de Miguel corria o ano de 1613.
Juntos navegam para a Europa, numa viagem marcada pela adversidade. Interceptado por um corsário famoso, de seu nome El Samandris, Peter é feito prisioneiro e obrigado a separar-se de Miguel, que fica à guarda de Christian em Marraquexe. Os inseparáveis amigos acabam mais tarde por se reencontrar e seguir viagem, rumo à Europa. Em terras da Provença, Peter apaixona-se pela bela e enigmática Constance, despertando os ciúmes de Nenu. Apesar de morta, a princesa dos demonaras está sempre presente: «dormir é coisa dos vivos», diz ela, lançando-se nos ares, transformada em corvo, sempre que vai à procura do filho. Com o passar do tempo, a afeição que Constance sente por Miguel acaba por se revelar determinante e fazer com que Nenu aprove o relacionamento entre os dois amantes.
Das Índias até à Europa, ainda e sempre ao encontro do Livro da Vida. Entre as perseguições movidas pela Inquisição, as intrigas palacianas e os típicos confrontos entre corsários e espadachins. A história de um homem marcado por um segredo do seu passado e a sua luta por se reconciliar com a vida e com o amor.